sábado, 1 de março de 2008

Biografia de Jorge Godinho

Jorge Godinho teria completado 70 anos no dia 5 de Janeiro último…

(a pensar nos nossos netos que não conheceram o Avô…)

António Jorge Maia Godinho Marques nasceu em Coimbra, em 5 de Janeiro de 1938, na Rua de S. Salvador. Filho de António Godinho Marques (natural de Cabanões) e de Palmira Maia de Resende (natural de Cimo do Vila), Ovar, era o mais novo de 5 irmãos: Vítor, Lúcia, Dalila e Cecília Sacramento.
Embora tivesse vivido em Coimbra, mais tarde na Rua da Matemática, até 1965, passava rápidas férias na casa de família de Cabanões.

Na foto seguinte: em Cabanões, com os irmãos Vítor e Lúcia

Curta mas plena foi a sua vida, já que uma leucemia incurável lha ceifou, a 16 de Junho de 1972, após várias deslocações a Paris que se tornaram infrutíferas.
Praticamente autodidacta, com os seus 14 a 15 anos, tem algumas lições com um barbeiro – guitarrista da alta coimbrã da Rua da Matemática, o Flávio Rodrigues. Tinha tanta vontade de aprender a tocar que, para treinar, punha-se debaixo da roupa da cama para não incomodar os colegas.
Amante da guitarra, tinha em Carlos Paredes, o Mago da Guitarra, o seu ídolo.

Em carta à irmã Lúcia, em Abril de 1954, portanto, com 16 anos, escreveu: “ eu, o Duarte e outro rapaz que toca viola já andamos a formar um grupo, em que o Duarte é o 1º guitarra e eu o 2º. Já fizemos várias serenatas e o Zeca (Zeca Afonso) também foi cantar.
Agora vamos pela primeira vez a um palco, à F.N.A.T., no dia 30 deste mês, à Festa dos Finalistas da Escola Brotero e depois no dia 8 ao Sarau dos Finalistas do Liceu”.

Frequentou o Liceu D. João III em Coimbra, onde conviveu com os maiores nomes do fado e, ainda no liceu, começou a participar em espectáculos musicais académicos, juntamente com estudantes já universitários.
Entrou para a Faculdade de Letras em 1959 e concluiu o curso de História em 1964. Em 1972 frequentava, como voluntário, o 4º Ano de Direito, como era seu desejo.

Vida académica intensa, durante os poucos anos que viveu.

Corajoso na doença, dedicado aos seus alunos e amigos, optimista na visão dos acontecimentos, espírito inteligente e culto, foi professor que se impôs pela sua competência profissional e pelas suas invulgares qualidades de carácter, de compreensão e de bondade – in “Correio do Vouga de 23/6/1972.

Em 1954, integra uma das primeiras serenatas levada a efeito no Penedo da Saudade (foto acima), com Levy Baptista, António Baptista Duarte, Paulo Morais Fonseca e Eurico Almiro Menezes e Castro. Em Outubro do mesmo ano, participa na primeira Serenata na Sé Velha.

Em 1955, aparece António Portugal com o seu grupo, talvez o mais homogéneo de quantos tem havido em Coimbra, grupo esse que Jorge Godinho integrou. A António Portugal e ao cantor Luiz Goes devemos os melhores momentos de fado e de guitarra de Coimbra. Jorge Godinho surge como um “novo” guitarrista de quem havia muito a esperar. Na interpretação como solista das “Variações em Lá menor” de J. Morais, mostra já uma forte personalidade e um apurado conhecimento da guitarra de Coimbra.

Em 1956, Jorge Godinho acompanha com António Portugal (à guitarra), Manuel Pepe e Levy Baptista (à viola) o famoso Zeca Afonso no seu primeiro EP intitulado “Fados de Coimbra”, editado pela discográfica Alvorada: fados Incerteza, Mar Largo, Aquela Moça da Aldeia e Balada.

Em 1957, grava em Madrid, para a Philips, num estúdio de excelentes condições técnico - acústicas, o célebre disco em 33 R.P.M. do Quinteto de Coimbra de que são conhecidas em Portugal pelo menos quinze edições com capa diferente.
Nesta histórica gravação de fados e guitarradas mais vendida até hoje, as guitarras de António Portugal e Jorge Godinho, as violas de Manuel Pepe e Levy Baptista acompanham o cantor Luiz Goes. O disco fora preparado com o cantor Machado Soares, que à última hora, decidiu não se deslocar a Madrid, tendo sido substituído por Luiz Goes. Neste disco, nas Variações em Ré menor de Almeida Santos, Jorge Godinho foi o solista; os acompanhamentos das outras guitarradas, Aguarela Portuguesa e Variações em Lá menor, ambas de António Portugal, estão superiormente conseguidos, valorizando muito as peças.

Neste mesmo ano (1957) integra a 1ª Primeira Serenata de Coimbra transmitida em directo pela R.T.P., junto de um olival perto dos velhos estúdios do Lumiar, com a realização de Ruy Ferrão: Manuel Pepe (viola), António Portugal e Jorge Godinho (guitarras), Levy Baptista (viola) e Luiz Goes (a cantar).
Ainda se vêem Tito (Costa Santos), Sutil Roque, David Leandro e José Niza (foto seguinte).

Também participa, em Março, numa gravação para a T.V.E. com Manuel Pepe, António Portugal, Levy Baptista e Luiz Goes (foto abaixo).

O grupo perdurou até 1958 e gravou para a empresa discográfica Alvorada um conjunto de três discos em vinil, 45 R.P.M., de Fados e Guitarradas de Coimbra, tendo acompanhado os cantores Luiz Goes, Fernando Machado Soares e Sutil Roque. O ano de 1958 revela-se muito frutuoso. Para além dos discos, Jorge Godinho participa em várias digressões: Bélgica (Expo 58), Angola com a Tuna Académica da Universidade de Coimbra e em gravações para a R.T.P.

Deslocação à Bélgica (Antuérpia e Bruxelas) Expo 58, no paquete Santa Maria.

(foto anterior) - Na R.T.P. – Jorge Godinho e António Portugal (g.), Manuel Pepe e Levy Baptista (v.). Cantam Sutil Roque, Sousa Pereira e José Henrique Dias.

Ficou famosa pela harmonia dos seus trinados e beleza arquitectónica envolvente a gravação para a T.V. americana levada a cabo no Mosteiro dos Jerónimos: Jorge Godinho e António Portugal (g.), Manuel Pepe e Levy Baptista (v.). Cantam Sutil Roque, Sousa Pereira e José Henrique Dias.

Por volta de 1959, depois de ter deixado de acompanhar António Portugal, integrou o grupo de Jorge Tuna, tendo gravado a solo, uma guitarrada de Flávio Rodrigues. Entraram também para o grupo Durval Moreirinhas e José Tito Mackay (viola).

Em 25 de Abril de 1959 festejou - se o 70º Aniversário a Tuna Académica, em que Jorge Godinho participava como violista e interveio activamente nas comemorações.

A Tuna na Via Latina

Na primeira fila desta foto (com violas), podemos ver, da esquerda para a direita, Levy Baptista, Horácio Leitão, Jorge Tuna, Tito MacKay, em sexto, Jorge Godinho seguido de David Leandro.
Na fila a seguir, com guitarra, António Portugal, em terceiro e quarto lugares, respectivamente, Eduardo Melo Lopes de Almeida com bandolins. À direita, José Neves (?) com o acordeão; de pé e de óculos escuros (sem instrumento) Mário Sacadura seguido pelo Alcides com o violino, atrás e à esquerda, José Niza.
Podemos ainda ver à direita o Senhor Chico, figura carismática da Academia de Coimbra.

Jorge Godinho toca tambor

Prato comemorativo dos 70 anos da Tuna

Vivia-se em Coimbra uma das fases mais ricas da canção feita pelos estudantes, dominada pelas vozes de Luiz Goes, Fernando Machado Soares e José Afonso e pelas guitarras de António Brojo, António Portugal, Jorge Tuna, Jorge Godinho, e Eduardo e Ernesto Melo.

Por volta de 1960, Jorge Godinho grava, com o conjunto de Jorge Tuna, para a Rapsódia, o disco EP, em vinil de 45 R.P.M. “Sé Velha, Guitarras de Coimbra”: Jorge Tuna e Jorge Godinho (g.), José Tito Mackay e Durval Moreirinhas (v.), tendo interpretado Jorge Godinho as Variações em Ré Menor de Flávio Rodrigues, como solista.

Capa do disco.

Nas férias da Páscoa de 1960, acompanha, numa viagem memorável aos Açores, no velhinho paquete Lima, o Orfeon Académico de Coimbra, integrado no Grupo de Fados, cujos instrumentistas eram, além de Jorge Godinho, António Nazareth (guitarra) e Durval Moreirinhas (viola).

Um grupo de estudantes nas Furnas

Numa 2ª digressão por África, visita com o Grupo de Fados, Angola e Moçambique, em Agosto de 60, integrado no Orfeon Académico.

JORNAL
“Capas Negras” conquistaram Luanda, segundo nos testemunha o jornal Notícia!, Semanário Ilustrado de Luanda, de 27 de Agosto.

O grupo de Fados era constituído por Jorge Godinho e José Niza (guitarra), Levy Baptista e Álvaro Bandeira (viola); Barros Madeira, José Afonso dos Santos, José A. Ferreira de Campos, António José de Sousa Pereira e Lacerda e Megre eram os cantores.
Ainda no mesmo ano, voltou a gravar, desta vez, no disco Coimbra Orfeon of Portugal, editado nos Estados Unidos da América para a etiqueta Monitor e que serviu de apresentação e promoção da digressão do Orfeon a esse país, em 1962.
Jorge Godinho e Jorge Tuna (guitarras) e José Niza e Durval Moreirinhas (violas) acompanharam Sousa Pereira, Barros Madeira e Sutil Roque.
O LP em referência, para além dos fados e de algumas peças do Orfeon, incluiu também as duas primeiras baladas de José Afonso: “Minha Mãe” e “Balada Aleixo”, acompanhadas à viola por José Niza e Durval Moreirinhas.

Na contra-capa do disco editado nos E.U.A.

Durante 1961, continuam as diversas serenatas (incluindo sempre a Monumental da Queima das Fitas), as gravações, os espectáculos ao vivo, as digressões, as participações regulares no Serenatas de Coimbra do Emissor Regional, de que não tenho muita documentação.
Em Abril, integrou uma viagem a Madrid com o Orfeão Académico.

Vale dos Caídos – 1961 – J. Godinho e José Niza

No ano lectivo de 60-61, fez parte da Direcção da Tuna Académica.

O ano de 1962 foi dos mais frutuosos. Todas as actividades artísticas académicas costumadas continuam, mas, em Maio, destaca-se a viagem ao Brasil (Rio de Janeiro, Copacabana, etc.), com recepções na Embaixada Portuguesa no Rio e vários espectáculos.

Cantaram Sutil Roque e Armando Marta. Nas violas, Durval Moreirinhas e Humberto Matias; nas guitarras, Jorge Tuna e Jorge Godinho.

Na Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro

Em Outubro de 1962, realiza-se uma das digressões do Grupo de Fados mais famosa, aos E.U.A., integrado no Orfeon, que se prolongou por 50 dias, durante os quais se realizaram 37 espectáculos. É de destacar a sessão no Lincoln Center de Nova Iorque, uma das maiores casas de espectáculos do mundo, em que Adriano Correia de Oliveira brilhou, acompanhado por Jorge Tuna, Jorge Godinho (guitarras) e Durval Moreirinhas (viola). O Diário da Manhã, de 11/10/62, entre outros, noticia a partida do Orfeon, com grande destaque.

Grupo de fados em Washington: da esquerda para a direita, Machado Soares, Durval Moreirinhas, Lacerda e Megre, Sousa Pereira, Victor Nunes, Jorge Tuna, Jorge Godinho e Adriano Correia de Oliveira (foto anterior).

Na foto anterior: Adriano Correia de Oliveira, Jorge Godinho e Durval Morerinhas no Central Park de Nova York, em Novembro de 1962

No ano seguinte, 1963, Jorge Godinho participou noutra digressão, desta vez à Suécia, à Gala dos Reais Clubes Escandinavos, que se realizou em Estocolmo, no Grand Hotel. Para além de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, participou a fadista lisboeta e castiça Esmeralda Amoedo, tendo os acompanhamentos sido assegurados, para além de Jorge Godinho, por José Niza (g.) e Durval Moreirinhas (v.).
Tiveram ainda lugar participações nas televisões suíça, Zurique, e alemã, Frankfurt.

Na foto anterior: Adriano Correia de Oliveira, Durval Moreirinhas, Zeca Afonso, José Niza, Gouveia e Melo, Jorge Godinho em Upsala, na Suécia, 1963.

Nesse mesmo ano, com José Niza (v.), Jorge Godinho (g.) gravou em Paris, para a Polydor, um LP cantado por Germano Rocha, um português emigrado, que nos caveaux da Rive Gauche, ganhava a sua vida cantando baladas e fados de Coimbra.
A gravação deste disco mereceu destaque na Revista Paris – Match, que noticiou a celeridade da gravação, informando que dois estudantes de Coimbra, em férias da Páscoa, tinham ido a Paris gravar o LP mais rápido que se tinha registado nos estúdios da Polydor.
Entretanto, após o seu regresso, conhecemo-nos numa aula de História da Expansão Portuguesa comum a Filologia Românica e História e passámos a ser vizinhos de anfiteatro. A Queima das Fitas aproximava-se … começámos a namorar. Vivemos intensamente as festas. O Jorge fazia, então, parte da Comissão Central da Queima, em representação da Faculdade de Letras. Américo Louro (Ciências), Rui de Brito (Medicina), João Osório (Direito) e Rogério Camões (Farmácia) completavam o grupo.

Comissão Central da Queima das Fitas, 1963

Rui de Brito, José Niza, Ezequiel e o Jorge, 1963

Lembro-me que no ano seguinte, 1964, o grupo voltou a deslocar-se a Paris, de novo para acompanhar Germano Rocha num novo LP para a Barclay, mas desta vez, Jorge Godinho e Ernesto de Melo à guitarra e José Niza e Durval Moreirinhas à viola.
Não foi ano de grandes saídas académicas. A Tuna fez uma digressão pelo Algarve, dando também um espectáculo em Setúbal. Eduardo Melo e Jorge Godinho (g.) e Frias Gonçalves (v.) acompanharam o cantor José Miguel Baptista. (Foto abaixo)

Não deixou, porém, de integrar como finalista que era, a Serenata Monumental da Queima das Fitas, na Sé Velha, em que havia participado ininterruptamente, pelo menos, durante dez anos.

Manuel Pepe (v.), António Portugal (g.), Jorge Godinho (g.), Levy Baptista, Machado Soares (cantor), 1957

Nem palmas, nem ruídos. Apenas o tanger dorido das guitarras cortava a beleza daquelas noites sem par…
Apagavam-se lentamente os projectores, que dão à Sé um tom de mistério e de beleza… Apenas uma luz ténue e pálida ilumina um cenário cujo fundo é uma amálgama de capas negras e pedras seculares da velha Sé…

O Jorge concluiu o curso a 25 de Julho de 1964.

A Família e eu
Passou a ser professor no Liceu Nacional da Figueira da Foz, actual Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, onde criou entre 1964 e 67 um grupo de fados, de que não conheci os restantes elementos: além dele à guitarra, o Reitor do Liceu, Dr. João Rigueira, que por coincidência, também era de Ílhavo, acompanhava à viola. (Foto a seguir)

Acabei o curso no ano seguinte e casámo-nos na Capela da Vista-Alegre, Ílhavo, a 11 de Setembro de 1965. A escolha casual da data estaria carregada de fatalismo?
Fomos Pais do primeiro filho, o Pedro, a 1 de Julho de 1966 e do segundo, o Miguel, a 12 de Fevereiro de 1971, crianças que eram o enlevo do Jorge. Não
as pôde ver crescer nem acompanhar, com os dotes de educador que possuía.
Em Agosto do mesmo ano, foi-lhe detectada a fatídica doença e em Paris soube que a doença era irreversível. Não duraria mais que uns escassos meses.
Estóico na doença, pediu-me que fizesse do Pedro e do Miguel uns Homens. Estou segura de que cumpri o seu desejo.
O seu desaparecimento aos 34 anos constituiu também uma grande perda para a guitarra de Coimbra, em que Jorge Godinho se revelara um dos mais talentosos intérpretes do seu tempo.

Continuou e continuaria a tocar e a amar a guitarra…

Ana Maria Lopes

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Amar Guitarra é uma viagem apaixonada pelo universo sonoro
latino, com passagem por terrenos do jazz e do blues,
conduzida por guitarras em diálogo.Em 2008, João Cuña e Luís Fialho, decidem apostar num projecto musical
instrumental mais ambicioso: “Amar Guitarra”, que resulta da evolução
natural do projecto inicial “Las Guitarras Locas”, e onde a
guitarra portuguesa assume um papel de relevo.

O agora quarteto conta com uma sólida secção ritmica a cargo do veterano
Raimund Engelhardt na percussão (tablas, cajon e cimbal) e do
jovem talento Marco Martins no baixo “fretless”.

Brevemente será disponibilizada a primeira aposta discográfica deste colectivo.

Consulte toda a informação, contactos, vídeos, fotos e agenda de concertos em:

www.myspace.com/amarguitarra
João Cuña

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Convite para a inauguração de sede do Núcleo Norte da Associação José Afonso (AJA).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

No ainda recente dia 23, fez anos que Zeca Afonso foi habitar noutro lado.

Eis um poema da Natália Correia ao singular trovador.

Eduardo Aroso



Zeca Afonso: Trovador da Voz d’Ouro Insubmisso

É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.

É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.

(Natália Correia)

José Afonso e os discos de música portuguesa em 2007

Dum mail enviado por Álvaro José Ferreira retirei este endereço com um pedaço de prosa sobre José Afonso. Vale a pena debruçarmo-nos durante algum tempo nas suas palavras.
No endereço que se segue podemos ver em pormenor o que de melhor se fez em disco com música portuguesa no ano de 2007.

Canção Açoreana

video

Vídeo enviado por Jorge Serra do II Festival Mundial da Canção Migrante.

Canta António Bernardino e é acompanhado por Durval Moreirinhas e Sérgio Azevedo na viola e por Octávio Sérgio na guitarra.

Já lá vão muitos anos!

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008








Aqui vão umas fotos capturadas dos clips de vídeo que te mostrei, referentes ao programa televisivo CANTOS E CONTOS DE COIMBRA emitido pela RTP Norte em 1982.
A qualidade é muito fraca devido ao facto dos vídeos serem de baixa qualidade (digitalização de gravações em cassete de 1982) e também porque o processo de captura em computador, altera ainda mais para pior, a qualidade.
As primeiras quatro foram recolhidas durante a interpretação de Adriano Correia de Oliveira da Trova do Vento que Passa.
As restantes durante a interpretação da Balada da Despedida do 6ºano Médico de 1958 (solistas Fernando Rolim e Machado Soares).
Na foto 5, em primeiro plano da esquerda para a direita, José Carlos Teixeira, Álvaro Aroso, Eduardo Aroso e Octávio Sérgio e em segundo plano, José Miguel Baptista, Fernando Rolim, Machado Soares e Adriano Correia de Oliveira.
Jorge Serra

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Saudades de Coimbra - Mazurca


Título: Saudades de Coimbra
Subtítulo: Mazurka para Piano
Música: Manuel de Assunção
Origem: Coimbra
Data: 1863

Composição instrumental, originariamente destinada a piano, em compasso 3/4 e tom de Fá Maior, de interessante urdidura e agradável audição.
A partitura foi impressa no ano de 1863, na Litografia da Imprensa da Universidade de Coimbra, com expressa dedicatória "Ao meu amigo Dr. Manoel Emygdio Garcia", confirmando a montante da Canção de Coimbra e da música produzida ou consumida em Coimbra uma longa prática de destinatários masculinos, cujo espectro ainda continuava a ser fortemente alimentado na época de António Menano.
Este exemplar encontra-se arquivado em anexo à colecção de solfas manuscritas do compositor Vasconcelos Delgado, na Secção de Música da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Ter-lhe-á sido ofertado na década de 1860, a fazermos fé na dedicatória autógrafa estampada no rosto da partitura "Ao meu amigo José Vasconcellos da Costa Delgado off.[erece] Eduardo [...] de Carvalho Viana". Infelizmente não existe informação biográfico-artística disponível sobre a família Vasconcelos Delgado, ao que parece oriunda de Arganil, ou com fortes ligações a Arganil. O nome mais evidente desta linhagem será o de José da Cunha e Costa Vasconcelos Delgado, consumidor de reportório italiano (Verdi) e autor de melodias de travejamento pró-árcade, porquanto ainda enfileiradas na troncatura das velhas modinhas.
A mazurca é uma melodia, com coreografia associada, de origem polaca, que grangeou retumbante sucesso no Portugal urbano e rural de oitocentos. Também conhecida por "valsa de dois passos", ou "moda dos dois passos", no Ribatejo, Estremadura e franjas da Beira Litoral, foi perfilhada por tunas citadinas e rurais, convívios musicais de assembleias e salões, teatros, filarmónicas, bailes folclóricos e serenatas dos escolares conimbricenses (Cf. José Alberto Sardinha, «Tradições Musicais da Estremadura», Vila Verde, Tradisom, 2000, pp. 363-364, e faixas sonoras exmplificativas das recolhas).
Em algumas tunas do Douro Litoral, a moda de dois passos era vulgarmente designada por "mazuca".
A mazurca faz parte integrante das novas modas musicais popularizadas em Portugal após o Liberalismo, caminhando quase de braço dado com a vulgarização da Valsa, da Polca, do Tango e do Fado Corrido.
Os salões, os teatros, as filarmónicas, as tunas e as orquestras ligeiras, não foram imunes às seduções da mazurca. Sucesso não inferior terá colhido na década de 1850 a "varsoviana", uma dança de salão com abertura em 4/4 e desenvolvimento em 3/4, relembrada pelo recolector César das Neves.
Pontualmente criticado pelas elites urbanas, o reportório estruturado à base de valsas, mazurcas, sambas, tangos, polcas, corridinhos, viras e contradanças, nunca saiu definitivamente de moda. Orquestra ligeira e tuna que se prezem a ele recorrem frequentemente e dele tiram garantido sucesso em bailaricos de Verão, festividades populares e animação de casamentos.
Não se deve confundir este título oitocentista com a obra "Saudades de Coimbra" (Ó Coimbra do Mondego), da autoria de Mário Faria da Fonseca, gravada em 1ª mão por Ed. de Bettencourt nos finais da década de 1920.
Transcrição: Octávio Sérgio (2008)
Recolha e texto: AMNunes